Desenvolvi a IMFO a partir de estudos e leituras sobre a obra de compositores como Bach, Beethoven, Berlioz, Wagner, Debussy, Villa-Lobos, Pat Metheny entre vários outros, que buscavam em sua arte uma maior proximidade entre os sons e pausas com símbolos, palavras, gestos e imagens.
"Pesquisas recentes tendem a demonstrar que o simbolismo dos números teve sobre a organização das obras de Bach um efeito bastante considerável. Certos algarismos (3, 7, 12...) e outros, ligados à própria pessoa do compositor aparecem com frequência que dá o que pensar (14 = B.A.C.H.; 41 = J.S.B.A.C.H.). Não é sugestivo que o tema do coral 'Senhor, eis-me diante do Teu trono', escrito por Bach em seu leito de morte, tenha sido alongado, graças a notas de passagem, das 32 que possuía para um total de 41?" (MASSIN; Jean e Brigitte (org).
História da música ocidental. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. - p. 465).
A partir daquela brincadeira infantil de ligar pontos numerados construindo figuras, desenvolvi uma maneira de “visualizar” certas formas e objetos cantados (ou não) na música a partir de “pontos irreais” no braço do contrabaixo.

Tal estudo pode ser ouvido e visto no arranjo que fiz para a música “Veleiro”, de Janires (que se encontra no nosso CD de mesmo nome). Ao ser cantada a frase: "seu coração é um veleiro" ou "seu coração é uma estrela", crio frases musicais que unem pontos formando um "coração", um "veleiro" e uma "estrela" como nos exemplos abaixo.

Em outros momentos, deixo a IMFO “visual” para trabalhar mais a IMFO “auditiva”, como por exemplo, no trecho onde se canta: "prá poder ancorar" - imito o som das correntes de uma âncora saindo da proa até encontrar o fundo do mar, assim como as batidas de um coração no início e no final da música.
Ouça a música.
É necessária a imaginação e a atenção de quem assiste uma apresentação ao vivo para que a IMFO seja percebida. No entanto, sei que ela está mais ligada diretamente ao executante e compositor/ arranjador, do que ao ouvinte.
Por fim, a música tradicional continua sendo mais importante do que a IMFO nos meus arranjos e composições: harmonia, tonalidade/ modalidade, dinâmica, timbres, rítmica, gênero/ estilo, técnicas, fraseado, andamento e interpretação. A IMFO é apenas mais uma maneira de trabalhar a música de forma lúdica.