31 Janeiro 2010

Igreja: Invista em seus músicos!


"Durante muitos anos, na maioria das igrejas do movimento evangélico, julgava-se comumente que o ministério de música era executado por leigos, sem compensação financeira e no seu 'tempo de folga'. Isso se referia tanto aos regentes de conjuntos corais e organistas quanto aos coristas individualmente. Afinal de contas, os professores da escola dominical não são pagos - nem mesmo o superintendente da escola dominical - por isso, por que os músicos deveriam ser pagos? [...] Mais recentemente estabeleceu-se a concordância generalizada de que uma liderança musical competente exige perícia e cultura especiais - o que requer consideráveis despesas que merecem compensação. E sobretudo, nenhuma pessoa pode contribuir tanto - seja como músico, seja como pastor - se o seu tempo for limitado pela necessidade de ganhar a vida em outra vocação." (HUSTAD, Donald P., p. 64)

Quase a totalidade de igrejas evangélicas espalhadas pelo Brasil não investe em salários, cachês, cursos constantes, instrumentos e equipamentos musicais de qualidade para seus músicos.

Pagar todos os músicos é inviável e muitas vezes impossível, mas, para aqueles que demonstram talento e habilidade (mais o quesito responsabilidade), que almejam trabalhar na profissão da música e as lideranças (ministros, maestros, regentes, arranjadores...), deveria haver justa remuneração...(continue lendo no portal CRISTIANISMO CRIATIVO)


Sérgio Pereira é formado em História, músico, escritor de materiais didáticos, educador e colunista da revista Cover Baixo. É um apaixonado pelo ministério musical, onde vem participando desde os 12 anos de idade, seja atuando, ensinando equipes ou aprendendo muito com todas elas, construindo e desconstruindo idéias em prol do desenvolvimento da excelência musical junto às igrejas evangélicas brasileiras.

20 Janeiro 2010

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Por tempo limitado...

1. Canção de Jó (Sérgio Pimenta)
2. Estações do amor (Guilherme Kerr/ João Alexandre)
3. Sertão do Sal (Romero Fonseca/ Marivone Lobo/ Sérgio Pereira)
4. Raras essências (Stênio Marcius/ Marivone Lobo)
5. Luz forte (Jorge Camargo)
6. Viagens de fé (Romero Fonseca/ Reny Cruvinel)
7. Idéia nova (Gladir Cabral/ Gustavo Messina)
8. Quando se está só (Sérgio Pimenta/ Nelson Bomilcar)
9. Grafite (Silvia Mendonça/ Marivone Lobo)
10. Barquinho (Stênio Marcius)

Ficha Técnica
Produção e arranjos: Sérgio Pereira e Marivone Lobo.

Gravado no Estúdio B&V em Ribeirão Preto (SP), de fevereiro a março de 2008.

Mixagem e masterização no Estúdio Voz e Violão (Paulínia – SP) - (19) 3884.7017 - por João Alexandre e Sérgio Pereira.

Participações: Magrão (percussão em Sertão do Sal, Grafite e Viagens de Fé); Adriano Giffoni (baixo de seis cordas em Sertão do Sal).

Capa e arte gráfica: Ricardo Szuecs.

Baixo e Voz - Programa Plataforma

15 Janeiro 2010

11 Janeiro 2010

MÚSICA “EVANGÉLICA”, MERCADO E SEPARAÇÃO


Escrito por Sérgio Pereira

Texto extraído do "Livro do Som do Céu" (Ed. Palavra). Gravura: "Banda de Música" - Cândido Portinari.

[...] a música de massas e o novo tipo de audição
contribuem para tornar impossível o
abandono da situação infantil geral.
(Adorno)


Apesar do paradoxo, frente a uma gama de possivelmente 35 milhões de pessoas que confessam a fé evangélica no Brasil , nesta pluralidade de denominações e neste país de dimensões continentais, com suas centenas de ritmos (talvez milhares), temos apenas alguns estilos musicais sendo produzidos por uma indústria “cristã” e uma visão dogmática a respeito do papel do músico que professa a fé evangélica , emperrando o desenvolvimento de uma Igreja que poderia esbanjar música e arte de qualidade e influenciar positivamente a sociedade brasileira nesse aspecto. É necessário quebrar a situação musical infantil que vivemos como Igreja hoje!

Mas, como a Igreja evangélica tem reagido a esta imposição comercial e à sua falta de contribuição no meio musical brasileiro? Mal! Tem apoiado a indústria, contratando por milhares de reais seus artistas-estrelas e se negado a participar da sociedade, enclausurando-se cada vez mais em seus templos, “shows de adoração”, ouvindo apenas seus “profetas cheios de unção” e valorizando troféus segmentados que premiam geralmente pouco ou nenhum talento.

Não consigo vislumbrar nem um pequeno gesto de Jesus Cristo e seus apóstolos rumo a esta visão de mundo dicotomizada, onde se separa do outro em nome de Deus ou demoniza-se o próximo por pensar diferente. Já dizia Sartre: “Inferno são os outros”! Cristo nos ensina justamente o contrário e nos leva à aproximação e diálogo.

Contudo, a Igreja evangélica brasileira continua insistindo em se separar e rotular sua música como “gospel”, “adoração” ou simplesmente “evangélica” e seus músicos, de “levitas”, minando o direito destes de trabalharem no meio musical “secular”, a fim de não contaminarem-se com o “mundo”.

Se o protestantismo teve grande dificuldade em se instalar de vez no Brasil (cerca de 1850) devido á fé católica que reinava, e claro, devido a outras razões político-econômicas, revidamos esta falta de hospitalidade com a criação de uma subcultura que nos separa de todo o restante da população brasileira, através de dogmas e doutrinas pseudo-espirituais. E isso, implicando inclusive na música: durante mais de um século, o momento musical encontrado nas liturgias era unicamente formado pelas melodias européias dos hinários, acompanhadas de órgão e, às vezes, piano. Não havia um mínimo de abertura para instrumentos de percussão, violão ou estilos musicais populares como a marcha e o samba, em voga nos salões desde o início do século passado . Em suma, para ser um “brasileiro protestante”, era necessário tornar-se também um “europeu protestante”.

A prática de se cantar com hinários foi se enfraquecendo em meados do século XX, principalmente a partir de 1960, com o Jesus Movement e a introdução de novos instrumentos e estilos musicais como os “corinhos”, a chamada “música cristã contemporânea” . No entanto, enquanto músicos “seculares” estavam discutindo e assumindo posturas políticas nas suas letras no período da ditadura, como Chico Buarque e tantos outros , os músicos evangélicos precisaram fazer inúmeras reuniões para convencer as lideranças eclesiásticas que instrumentos e ritmos populares poderiam ser utilizados em prol da Igreja, além de gravarem e executarem quase sempre músicas cujas letras não diziam nada em relação ao que ocorria no cotidiano do cidadão brasileiro, afastando-se de uma possível contextualização.

Uma vez convencida parte desta liderança, em meados da década de 1980, nasce a gravadora Gospel Records e na sequência a MK e a Line Records, que conseguiram arrebanhar milhares de fãs (Weber provavelmente ficaria assustado com a “ética protestante e o espírito capitalista” dos magnatas de tais gravadoras). Cedendo ao poder de mídia destas gravadoras e à pressão de uma juventude que já ouvia rock há muito tempo, grande parte das lideranças eclesiásticas do meio evangélico resolveram “aceitar” os novos grupos, estilos musicais e instrumentos populares, inclusive adotando-os em seus cultos, a fim, certamente, de não perderem seus fiéis para a Igreja Católica ou outras religiões (inclusive outras denominações evangélicas que já haviam adotado esta prática musical).

Para conquistar essas lideranças, a estratégia destas gravadoras foi utilizar novos nomes para ritmos antigos, “santificando-os”: tudo que era popular (funk, soul, reggae, blues, jazz, samba, baião e, em especial, o rock) passou a se chamar gospel na década de 1980. Nos anos 1990, a estratégia das gravadoras foi chamar o rock - o estilo mais tocado nos cultos de mega-igrejas dos E.U.A e Austrália -, de “música de adoração”.

Uma vez convertido o rock e suas guitarras, este é o ritmo que agora aproxima os brasileiros de Deus nos cultos. Nos libertamos do hinário europeu para nos render a uma imitação da indústria de entretenimento “cristã” do Primeiro Mundo, ou seja, seis por meia dúzia.

Enfim, pretendo apresentar não apenas os problemas, mas, também algumas propostas para que a Igreja evangélica brasileira possa tentar reverter este quadro separatista e mercadológico da música. Eis aqui algumas sugestões para as lideranças eclesiásticas e para meus colegas de profissão a fim de colaborar com tal processo.
Em primeiro lugar, proponho que a Igreja evangélica brasileira transforme os templos, durante a semana, em centros culturais, onde haja escolas de música e outras artes, apresentações artísticas e um espaço de debate e oficinas a respeito de questões do cotidiano social-político-econômico da comunidade local. São os locais mais ociosos do mundo e precisam de uma ocupação inteligente.

Em segundo lugar, proponho que os artistas cristãos utilizem todos os meios possíveis para que sua arte seja mais criativa e interessante. Refiro-me às visitas constantes aos cinemas, museus, teatros, livrarias, bibliotecas, shows, workshops, seminários, bons sites na internet, exposições de fotografia, pintura, escultura entre outros. A Bíblia pode continuar sendo um bom referencial de letras, mas, que poetas como Carlos Drummond, Cecília Meireles, García Lorca e Fernando Pessoa, jornais, revistas e tantos outros meios de informação possam ser inspiração para falarmos sobre outros assuntos em nossas músicas, como nos ensinaram os pais e artistas da Reforma (século XVI).

Proponho, em terceiro lugar, que a Igreja evangélica brasileira reflita sobre o fato de que a indústria fonográfica cristã é como qualquer outra indústria: ávida por lucros. O “sucesso” em vendas de alguns cantores e grupos musicais (que se denominam “ministérios”), não é sinal de santidade, benção ou unção divina. Se assim o fosse, a cantora Madonna seria uma sumidade na área, devido ao seu sucesso de várias décadas.

Em quarto lugar, proponho que os seminários e faculdades de teologia trabalhem pelo menos uma disciplina em suas grades curriculares, nas questões relacionadas à prática musical dos cultos, tais como: formação e organização de grupos musicais, liderança musical, equipamentos necessários, mapa de palco, relação da teologia com as letras de música, mercado fonográfico cristão, entre outros assuntos. Cursos livres, workshops, simpósios, encontros e congressos nesse sentido serão bem-vindos também. Nossos pastores e líderes precisam conhecer mais a respeito do universo musical, já que lidam constantemente com ele. Até o governo federal finalmente resolveu investir em educação musical no ensino fundamental e médio (Lei nº. 11.769).

Para aqueles profissionais da música, chamados por Deus para o trabalho em tempo integral junto às suas igrejas locais, proponho que seja pago um salário digno a estes, assim como se pagam pastores e obreiros. É fundamental e imprescindível que alguns músicos com experiência, se dediquem semanalmente além dos ensaios de sábado e domingo, junto às equipes formadas por voluntários e leigos. Com certeza, o confuso mosaico teológico judaico-cristão de letras cantadas nos cultos e a execução instrumental/vocal seriam outros, com muito mais qualidade e coesão.

Proponho ainda que haja um resgate da música brasileira nos cultos evangélicos. Que a Igreja aprenda com a diversidade musical de nossa arte brasileira: Villa-Lobos, Pixinguinha, Tom Jobim, Ed Motta, Martinho da Vila, Legião Urbana, Renato Teixeira, Clube da Esquina, Tião Carreiro e Pardinho, Pau-Brasil, Vanessa da Mata, Chico Science, Lenine e tantos outros artistas que, apesar de não ser parte das “equipes de louvor”, tiveram seus talentos musicais, poéticos e criatividade doados também pelo Criador da música, o próprio Deus.

Proponho, em último lugar, mas não menos importante, que os músicos profissionais recém-convertidos não deixem seus postos de trabalho no meio não cristão. A sua conquista profissional, anterior ao seu encontro com Cristo, pode render muitos frutos para o Reino de Deus. Precisamos como Igreja, ocupar estes lugares e pregar a mensagem da cruz, pois são muito poucos os que estão trabalhando neste ambiente no dia-a-dia, adotando uma postura e visão de mundo cristã. Como poderemos ser luz se estamos escondidos dentro dos nossos templos? (Mateus 5:14-16).

Como músicos e cristãos, que utilizemos arte criativa e honesta para romper as amarras que travam a Igreja, impedindo-a de sair de sua condição musical infantil, e que sejamos “perturbadores” da ordem estabelecida no presente século:

"Uma criação artística que seja, de fato, expressiva nunca pode ser recebida com indiferença. Para usar uma analogia bíblica, ela é como a “Palavra do Senhor” – nunca volta vazia, mas produz um abalo, um choque estético e ontológico, que pode questionar, desestruturar, [...] e, ao mesmo tempo, abrir as possibilidades para uma reconstrução [...]. O artista é um perturbador da ordem estabelecida . (CALVANI).

REFERÊNCIAS
ADORNO, Theodor W. Textos escolhidos. São Paulo: Nova Cultural, 1996. (Coleção Os Pensadores).
ALENCAR, Gedeon. Protestantismo tupiniquim: hipóteses sobre a (não) contribuição evangélica à cultura brasileira. São Paulo: Arte Editorial, 2005.
BÁGGIO, Sandro R. Revolução na música gospel: um avivamento musical em nossos dias. São Paulo: Êxodus, 1997.
CALVANI, Carlos E. B. Teologia e MPB. São Paulo: Loyola, 1998.
CAMARGO FILHO, Jorge Geraldo. De vento em popa: fé cristã e música popular brasileira. Dissertação mestrado. São Paulo: Mackenzie, 2005.
CARDOSO, Douglas Nassif. Convertendo através da música: a história de Salmos e Hinos. São Bernardo do Campo: S/E, 2005.
COSTA, Thiago. Religião e mercado musical: em busca da união perfeita. Revista Cenário Musical. Ano I, nº. 1.
HORTON, Michael S. O cristão e a cultura. São Paulo: Cultura cristã, 1998.
LIMA, Eber F. S. Reflexões sobre a corinhologia brasileira atual. IN. Boletim Teológico ano 5. Porto Alegre: Fraternidade Teológica Latino Americana, Seção Brasil, 1991.
MENDONÇA, Antonio G. O celeste porvir: a inserção do protestantismo no Brasil. São Paulo: Paulinas, 1995.
MENDONÇA, Antonio G; VELASQUES FILHO, Prócoro. Introdução ao protestantismo no Brasil. São Paulo: Loyola, 1990.
MUZIO, Rubens. O crescimento numérico dos evangélicos. Site: www. Liderança.org/, publicado em 03 de mar. de 2008. (Site SEPAL).
Nossa música brasileira: 2ª. edição-2008. DVD disco 2. São Paulo: Sepal/ Jovens da Verdade, 2008.
PEREIRA, Sérgio. Música protestante em Ribeirão Preto: a experiência presbiteriana. Monografia em História. Ribeirão Preto: Centro Universitário Barão de Mauá, 2007.
TURNER, Steve. Cristianismo criativo? Uma visão para o cristianismo e as artes. São Paulo: W4, 2006.