18 Dezembro 2010

Depois da "Carta do Som do Céu"


por Sérgio Pereira

"O maior risco que existe é o de deixar passar o momento; no mar,
um exemplo disso seria atrasar certas manobras, se acomodar e dizer 'tá bom assim'." (Amyr Klink)

Em abril de 2009 foi redigida a "Carta do Som do Céu" no Acampamento da Mocidade Para Cristo do Brasil, um manifesto de artistas (músicos na sua maioria) protestantes com 25 pontos relacionados às inquietações deste grupo em relação à arte produzida e consumida pela Igreja.2

O ponto número 8 diz que: "Comprometemo-nos a dedicar atenção e reflexão às canções que são introduzidas no culto de adoração e nas demais atividades da igreja, buscando um repertório equilibrado e consciente e evitando, de todas as formas, que heresias e desvios teológicos adentrem sutilmente em nossas comunidades."

O trecho sublinhado vai de encontro às críticas (muitas delas veladas) que tenho recebido nos últimos dias. Explico: postei vários comentários no Twitter sobre minha indignação quanto à postura da pra. Ludmila Ferber, que ao convocar seus fãs para orar sobre sua participação no Programa do Faustão no dia 12/12, escreveu em seu blog (dia 09/12): "Sei que não estou indo por mim mesma, mas represento a voz profética da Igreja do Senhor Jesus Cristo falando para milhões e milhões de lares, não só no Brasil, como em outras nações." Ora, ela não pode sozinha representar "a voz profética da Igreja do Senhor Jesus Cristo", e sim, apenas para uma parcela de seguidores de suas idéias em sua igreja local e fãs de suas músicas.

Entre vários twitts, em um deles escrevi: "Campanha: não toque/cante bandas/cantores(as) com os quais você não concorda na Igreja! Não aceite a pressão da comunidade; ensine!" Isso incomodou alguns. No entanto, o trecho da Carta sublinhado pode, no meu entender, apoiar a "campanha", uma vez que minha pretensão era tentar evitar (de alguma forma) que heresias e desvios teológicos continuem adentrando as comunidades espalhadas nesse Brasil por meio da música.

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08 Dezembro 2010

Novo vídeo com Baixo e Voz


Dia 28 de novembro nos apresentamos na Igreja do Senhor Jesus Cristo em São Paulo. O áudio está bem legal e o pr. Marcelo Martins fez uma ótima pregação. Vale a pena conferir AQUI.

05 Dezembro 2010

Sobre nossa 12ª apresentação com alunos...



Agradecimentos aos alunos (a) Bruna Garcia, Caio Barato (foto de baixo), Davi Lobo, Eduardo Misina, Gledson Kataniwa Gonçalves, Mateus de C. Lavezo Pegrucci, Miguel Lobo Delmonte, Vinícius dos Santos Oliveira (foto de cima), Willian da Silva Santos. À loja Guitar Music por ceder seu espaço, ao John e Maurilênio F. Mendes pela mão...

Sobre nossa apresentação neste sábado (04/12):

1. Idéia nova (Gladir Cabral/ Gustavo Messina) - essa o técnico de som pisou na bola com microfonia... Ainda bem que foi comigo e a Marivone só... Perdi um acorde no meio da música; alguém reparou? A Marivone reparou...rs...rs...

2. O sal da terra (Beto Guedes/ Ronaldo Bastos)/3. Vilarejo (Marisa Monte, et al) – Bruna (vocal; violão): mais microfonia do técnico. Nesse momento, o Vítor resolveu substituir a caixa de retorno e mudar sua posição; RESOLVEU! Ufa... O previsto nos ensaios foi feito. Parabéns à Bruna pela ótima apresentação cantando e tocando violão. Ela é uma das alunas mais aplicadas que temos.

3. Lanterna dos afogados (Hebert Vianna) - Willian (baixo). O Willian foi extremamente delicado nessa música, como pedido nos ensaios; improvisou bem e não errou uma nota. Parabéns mano!

5. Minha alma - a paz que eu não quero (Marcelo Yucca e O Rappa) – Willian (baixo): aqui precisava de "porrada"...rs... A Marivone disse que "nunca mais fica entre duas caixas de contrabaixo comigo e Willian tocando juntos"...rs... Mais um ponto para Mr. Willian; ficou muito boa e dentro do previsto nos ensaios.

6. Letter from home (Pat Metheny) – Vinícius (violão). Essa foi uma das melhores da noite, talvez a mais bem tocada. Música difícil, requer concentração e técnica apurada que o Vinícius trabalhou muito bem. Além dos acordes complexos - e dela ser um chord-melody - ela é "ad libitum", ou seja, tempo livre. Tentei não atrapalhar o Viní acompanhando-o...

7. Sorri (Charlie Chaplin - versão da letra: João de Barro) – Vinícius (violão). Bom improviso do Vinícius em um arranjo que "entortei" bem a harmonia. Enquanto eu dedilhava, o Vini fez uma levada de bossa-nova no violão. 10!

8. Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento/ Ronaldo Bastos) – Caio (baixo). Tocar com caixas nas costas (retorno de monitor) engana muito quando tenta se medir o volume que sai na frente (P.A.); em alguns momentos sumia meu baixo, ou os instrumentos dos alunos; uma pena... No início, o Caio estava com seu instrumento com volume baixo, mas na segunda estrofe já estava no volume ideal. Esse arranjo requer habilidade rítmica; porém o acompanhamento com acordes é simples. Caio tocou direitinho!

9. Esperança (Jorge Rehder/ Elias Loureiro) - Caio (baixo). Enquanto fiz o arranjo original (gravado no nosso primeiro CD), o Caio desenvolveu uma linha de baixo como groove em boa parte do acompanhamento. Ficou ótimo!

10. Blue in green (Miles Davis) – Gledson (guitarra). Esqueci de falar ontem, mas esse arranjo foi uma parceria minha com o Gledson, que tocou muito bem e improvisou muito bem também.

11. Pantera cor de rosa (Henri Mancini)
- Gledson (guitarra). Gledson não deixou a desejar em nada para o guitarrista de meu trabalho no Sérgio Pereira Trio; entradas perfeitas, sintonia e concentração. A pegada e sonoridade final estavam ótimas também. Uma das melhores da noite!

12. Paciência (Lenine/ Dudu Falcão) – Miguel (violão). Lindo acréscimo do Miguel com um violão (cordas de aço). Faltou um pouquinho de atenção na entrada de alguns acordes, mas que já eram corrigidos na sequência.

13. O velho e o moço (Rodrigo Amarante - Los Hermanos) - Miguel (violão)/ Davi (guitarra). Ótima escolha do Miguel. Essa quem errou muito até chegar na parte B foi eu....rs.... Estávamos dividindo uma pasta em três, com uma letrinha miúda. Falha minha em não preparar uma cifra/ letra com fonte maior... Desculpe aí héim...rs...

14. Seven nation army (Damien Rice - The White Stripes) - Miguel (violão)/ Davi (guitarra). Putz... essa foi para a platéia acordar. O Davi "rock-man" se transforma com uma guitarra na mão! Ficou dentro do previsto nos ensaios (mas o Davi mandou mais no improviso doido de efeitos com o slide ao vivo...rs...). Uma observação: Estava previsto o Davi utilizar sua pedaleira RP da Digitech; no entanto, ao passar o som à tarde com ela, não achei um timbre bom (que estivesse pronto) para o ambiente da loja. Abandonei a pedaleira. O que vcs ouviram como distorção era da caixa Marshall inglesa, que o Davi estava usando - ANIMAAAAALLLL!!!! rs... Boa apresentação do Miguel (que se perdia de tanto rir) e do Davi!

15. Vera cruz (Milton Nascimento/ Márcio Borges) - Eduardo (guitarra). O melhor improviso da noite. O Eduardo me surpreendeu tocando muito no tema/ acordes e em especial em um improviso inspirado. Espero que ele continue bebendo dessa boa fonte da MPB em seus estudos: Clube da Esquina (Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini, Toninho Horta...) e estudando improvisação. Tem futuro esse menino!

16. Bourrée (J. S. Bach) – Eduardo (guitarra). Aqui o Eduardo me deu um susto tocando pelo menos umas 30 b.p.m. (batidas por minuto) a mais do que ensaiamos. Ficou bem rápida. No entanto, fez uma boa apresentação, sem muitas falhas. Música difícil de ser executada, um "bourrée" é uma dança francesa de andamento rápido; bom, então ele não errou muito querendo tocar "presto"...rs...

17. Tanta saudade (Djavan/ Chico Buarque) – Mateus (baixo). Aqui tivemos um problema com a cifra novamente. No ensaio, utilizamos uma cifra que o Mateus levou para casa. Ao invés de imprimir a mesma, imprimi outra que não sei por que cargas d´água estava dife
rente, faltando uma estrofe... Deixou a Marivone, eu e o Mateus inseguros... Por essa e outras é que detesto ficar lendo na hora de tocar. Mas o Mateus fez muito bem a levada (apesar de ter acrescentado um "dó" a toda hora, que não tínhamos combinado...rs...).

18. Mobydick (Led Zeppelin) - Mateus (baixo). Aqui o Mateus viajou na introdução; deu um apagão e ele me perguntou: "como é que é o ritmo mesmo"...rs...! Já conteceu comigo, com a Marivone e com a torcida do Flamengo inteira; mas depois, o mano arrebentou (além de ter feito o melhor improviso de baixo da noite). Parabéns Mateus! O Vítor te elogiou no final...

19. Spring ain´t here (Pat Metheny) – Joabe (guitarra). Joabe foi um guerreiro nesse meu arranjo. De difícil execução, Joabe abraçou a idéia de tocar essa música, pesquisou na internet e treinou muito. Nos dois ensaios que tivemos, vi um crescimento enorme de um dia para o outro. Rolaram alguns errinhos em algumas passagens de acordes e a "respiração" de algumas frases poderia ter sido melhor, mas, para um cara que faz aulas apenas há 5 meses, tá ÓTIMO!

20. Sapato velho (Claudio Nucci/ Mu/ Paulinho Tapajós) - Joabe (guitarra). O que pedi para o Joabe em aula, ele fez e melhor ainda ao vivo, colocando ritmo e alguns detalhes no acompanhamento. Posso contar com esse cara em boas apresentações, com certeza...

Essa foi uma das apresentação com a maior quantidade de músicas de difícil execução. Como escrito acima, no geral, todos tocaram muito bem as músicas escolhidas. O Vítor e Juliano (proprietários da Guitar Music) e vários que assistiram elogiaram muito a apresentação de vcs.

Eu e Marivone nos sentimos honrados de sermos educadores de todos vocês. Contem conosco para continuar nessa linda estrada que é a arte musical!

Até a próxima aula (ou apresentação)...

Sérgio Pereira