Baixo e Voz é uma dupla que utiliza apenas o baixo e a voz para compor a beleza de suas músicas. Contando com Sérgio Pereira no baixo e Marivone Lobo, sua esposa, no vocal, surgiu em 91 e já conta com 5 álbuns.
Marivone é formada em música popular pela Universidade de Ribeirão Preto, professora de técnica vocal, compositora e arranjadora.
Sérgio é compositor, arranjador, escritor de materiais didáticos e educador de história e música, também escreve artigos sobre o assunto. E é com ele que iremos conversar sobre música, igreja e novas mídias. Confiram a entrevista concedida ao Geração Renovada.
Geração Renovada – Como você e a Marivone se conheceram e como foi que aconteceu o Baixo e Voz?
Sérgio - Nos conhecemos desde criança (com 5 anos mais ou menos), pois nossas famílias frequentavam a mesma igreja local (Presbiteriana Central de Ribeirão Preto – onde somos membros hoje). Minha sogra, quando ia trabalhar, deixava a Marivone com minha mãe, para cuidar; aí fomos nos conhecendo, começamos a tocar junto aos 13-14 anos (nesta igreja) e aos 16 estávamos namorando. Aos 23 estávamos casados!
O Baixo e Voz nasceu de um convite feito a vários músicos de diversas igrejas evangélicas em Ribeirão Preto, no ano de 1991, para gravar uma fita cassete com o intuito de levantar fundos para uma instituição que colaborava na recuperação de viciados em drogas, a Conexão Paz. Fui convidado a gravar os contrabaixos e a Marivone a fazer parte do grupo vocal.
No meio de uma das músicas que gravamos com banda havia “Sempre Presente” (Gilberto Bueno), onde fiz um arranjo que envolveu acordes no contrabaixo. Foi a primeira vez na vida que entramos em um estúdio.
Gostamos do resultado “solo” e eu e a Marivone resolvemos fazer arranjo em uma segunda música – “Resposta Certa” (Sérgio Pimenta). Fizemos uma terceira um ano depois, o hino “Conversão”, mas, paramos por aí.
Após dois anos, em 1994, o diretor nacional da missão Mocidade Para Cristo (M.P.C.), Marcelo Gualberto, estava pregando em uma igreja de Ribeirão Preto e nós fomos convidados a tocar nesse evento (com a banda que tínhamos na igreja, ou seja, baixo, violão, bateria e teclado).
Mas, antes da pregação, fizemos “Resposta Certa”, só no baixo e voz. O Marcelo curtiu muito e nos convidou para uma canja em um evento que ocorre há 27 anos em São Sebastião das Águas Claras (próximo a Belo Horizonte – MG): o Som do Céu.
Resolvemos ampliar o repertório e investir em uma fita cassete para divulgar nosso trabalho. Levamos uma mala de fitas para vender no evento…rs…
GR – Que tipo de som vocês escutam? Alguma referência?Sérgio - Basicamente MPB, jazz, trilhas sonoras (filmes) e rock: Lenine, Chico Pinheiro, Paulinho Moska, Djavan, Milton Nascimento e todo o povo do Clube da Esquina, Maria Rita, João Alexandre, Boca Livre, Carlinhos Veiga, Expresso Luz, Gilberto Gil, Monica Salmaso, Jorge Camargo, Chico Buarque, Joyce, Miles Davis, Pat Metheny, John Scofield, Eric Satie, Pau Brasil, Arthur Maia, Legião Urbana, U2, Cazuza, Steve Vai, Nirvana, Stênio Marcius, Vanessa da Mata, Take 6, Tom Jobim, Glauber Plaça, Arlindo Lima… são tantos…
GR – Você é professor e produz material didático para baixo, além de ministrar workshops e cursos. Com sua experiência no ramo, você acha que a igreja tem investido nos músicos?Sérgio – Muito pouco. As igrejas ainda não perceberam como a música pode colaborar (ou atrapalhar) o que se prega nos púlpitos. Muitas vezes visito igrejas com som de altíssima qualidade, mas com músicos de péssima orientação (musical e teológica). As igrejas precisam investir em cursos de capacitação para seus músicos e em lideranças musicais (ministros de música) que saibam de música e teologia relacionada à denominação.
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