27 Setembro 2011

Roupa Nova


Mais uma vez, estaremos com nosso Quarteto Tadoma abrindo shows para o Projeto Eu Faço Cultura, em Poços de Caldas (MG) e Juiz de Fora (MG). Desta vez teremos a honra de termos o percuterista Gilson Oliveira nos acompanhando. Mais informações AQUI

19 Setembro 2011

Usina 21


Estarei com o mano Duca Tambasco (Oficina G3) e Whaner Endo (Editora W4)em uma mesa redonda sobre o tema: "Música na historia cristã; musica de Deus x musica do mundo e a música como expressão artística independente de qual seja ela." neste próximo sábado, 11h. Às 13h, apresentação do Baixo e Voz. Mais informações no site do USINA 21.

04 Setembro 2011

ENTREVISTA BAIXO E VOZ


Créditos da foto: James B. Gilbert - http://ladoalado.zenfolio.com

Entrevista concedida a José Barbosa Júnior do site Crer e Pensar, para a Revista Louvor Ano 34. vol. 03. nº 128 (Ed. JUERP).


1) Como surgiu a idéia do “Baixo e Voz” ?
A partir de uma participação nossa na gravação de um trabalho que continha a música Sempre Presente (Gilberto Bueno) para levantar fundos para uma instituição chamada Conexão Paz (que ajudava na recuperação de pessoas viciadas em drogas e álcool).

Nesta música, trabalhei acordes no contrabaixo praticamente o tempo todo junto com a banda, composta por bateria, percussão, teclado, violão e voz. Depois da gravação, chamei a Marivone (que era minha namorada na época – tínhamos por volta de 16-17 anos) para cantá-la só “baixo e voz”; gostamos do resultado e fizemos arranjo para mais uma, Resposta Certa (Sérgio Pimenta), mas, ainda não tínhamos pretensão que isso virasse um trabalho solo.

Depois disso, o Marcelo Gualberto (diretor nacional da missão Mocidade para Cristo) nos viu tocando e conseguimos uma “canja” em um evento muito bacana em Belo Horizonte, chamado “Som do Céu”. Foi aí que decidimos investir gravando um primeiro trabalho...


2) O trabalho de vocês é reconhecido tanto na igreja como fora dela. Como lidar com a tensão entre a música cristã e secular?
Na verdade, estamos lutando sempre pelo direito de sermos ouvidos, dentro e fora da igreja, pois existem barreiras em ambos os ambientes. Pelo fato de termos gravado quatro CDs com temática cristã em boa parte das letras, o meio secular muitas vezes nos ignora. Por outro lado, já devolveram um CD nosso dizendo que nossa música não era “evangélica”.

Somos gratos a Deus, pois, nesses 20 anos, músicos de renome como Arthur Maia, Johnny Alf, Wanda Sá, Telo Borges, Rique Pantoja, André Mehmari, Marcelo Mariano, Nico Assumpção, Adriano Giffoni, Ian Guest, Vânia Bastos e vários outros que para nós são referência musical, teceram elogios ao trabalho.

Além disso, já estivemos tocando em inúmeras igrejas, teatros e igrejas em quase todas as regiões do Brasil (com exceção do Norte e Nordeste, onde nunca recebemos um convite “certeiro”) e nossos CDs estão em milhares de lares, além, é claro do formato digital, que não conseguimos mensurar exatamente o alcance.

Esse reconhecimento e a quantidade de amigos que temos feito nesses anos todos são o que nos move a continuar e dão esperança na difícil estrada da música independente.


3) Como as igrejas lidam com o trabalho de vocês, tendo em vista que não é um trabalho “comercial”, como infelizmente, tem sido a maioria dos trabalhos musicais que estão na mídia e, consequentemente, caem no gosto popular?
Temos sempre ótima recepção nas igrejas locais onde nos apresentamos. Não só conosco, mas todos os amigos (Stênio Marcius, João Alexandre, Jorge Camargo, Vencedores Por Cristo, Diego Venâncio, Tiago Vianna, Expresso Luz, Mário Valadão, Arlindo Lima, Carlinhos Veiga entre outros) constatam o mesmo: a igreja gosta de música trabalhada, com arranjos mais complexos e letras mais profundas.

Não é verdade que a igreja brasileira consuma e queira só o “comercial” (me refiro à música de artistas e bandas que está exposta constantemente nas rádios, TVs, revistas e sites evangélicos).

No entanto, entendemos que deve haver espaço para todas as manifestações musicais nas igrejas locais e/ou em eventos realizados por elas. Não achamos que um tipo de música seja melhor que outro. Entendemos que na diversidade da música brasileira caiba o reggae, o samba, o baião, o rock, o jazz, a música “erudita”, enfim, todo o mosaico musical que construímos nesses séculos todos.

Mas, não achamos correto a Igreja brasileira continuar se acomodando musicalmente às regras do mercado evangélico, que nada se difere do mercado secular. O que uma empresa busca? Lucro. A indústria evangélica está interessada em aumentar seus dividendos e não em investir no Reino.

A Igreja evangélica brasileira precisa parar de ser consumista e se tornar parceira dos artistas, promovendo mais eventos democráticos com a presença de compositores e bandas que não são “sucesso”, abrindo suas portas para mais apresentações, criando fóruns, seminários e debates sobre música e outras artes e investindo na educação musical de seus músicos.


4) Além das apresentações, vocês também têm um trabalho de seminários e aulas, tanto presenciais como virtuais. Como tem sido desenvolvido isso?
Os cursos (6 horas) e workshops (2 horas) são ministrados às igrejas em um final de semana, onde abordamos dicas para se ensaiar, utilização de ferramentas de arranjo práticas, conceitos bíblicos a respeito da música como louvor e adoração, a música na história cristã, desenvolvimento de lideranças, escrita musical dinâmica, criatividade no ministério entre outros tópicos. Atendemos as igrejas, às vezes, em cursos de até um ano de duração (em Ribeirão Preto ou São Paulo).

Trabalhamos em cima de um material que escrevi sobre o assunto: Organização para equipes de louvor: desenvolvendo a prática musical, material que conta com o prefácio de Nelson Bomilcar, músico e pastor, uma de nossas principais referências no meio cristão.

Mas, também trabalhamos com aulas em São Paulo, Ribeirão Preto e online (vocal, guitarra, violão, contrabaixo, harmonia, improvisação, arranjo, história da música, pré vestibular entre outros).

As aulas online são feitas via skype (com vídeo), para quem não mora nas cidades citadas. Os alunos pagam a mensalidade (ou aula avulsa) e fazem as aulas previstas dentro de agendamento prévio. Temos trabalhado com aulas via internet há três anos e temos notado ótimos resultados com os alunos.


5) O que vocês acham dos caminhos da música cristã no Brasil? O que falta? O que sobra? O que precisa ser descoberto?
Por um lado a originalidade das composições está em baixa. Nunca se fez tanta música ruim para se cantar na igreja como atualmente, e, ao mesmo tempo, nunca a igreja consumiu tanta música como hoje.

E é claro que podemos classificar uma música como boa ou ruim, utilizando critérios estéticos e contextuais. Neste caso, o “gosto” é o que menos conta, pois esse está completamente imerso na cultura de cada pessoa.

O problema do brasileiro é a afetividade extrema que mantém com a música; não é aceito politicamente criticar cantores(as) e bandas/ ministérios; desse modo, bons compositores e pastores acabam se calando diante de músicas e letras de péssima qualidade, para “não machucar o irmão”. Isso torna a qualidade do que a Igreja produz em termos artísticos, medíocre.

Mas , por outro lado, diversos artistas têm surgido fazendo música como Arte, buscando originalidade, criatividade, novas linguagens musicais e bom conteúdo nas letras. Neste sentido, citamos o Miguel Garcia, que assistimos uma semana atrás no programa Papo e Arte, na Igreja do Senhor Jesus Cristo (http://www.igrejasp.com.br/), apresentado pelo Stênio Marcius e Diego Venâncio. É nítida a preocupação do Miguel com qualidade e excelência na sua criação musical. Faltam mais compositores e músicos como ele, que não se rendem ao mercado na hora de criarem algo novo.

Iniciativas como o Som do Céu que fez nascer A Carta do Som do Céu e O Livro do Som do Céu (promovidos pela Mocidade para Cristo) e eventos como Nossa Música Brasileira (Jovens da Verdade), Sarau Facamolada (casal Tuco e Sandra Egg) e outros que discutam o momento que vivemos nas artes e promovam bons artistas escondidos do público são muito benvindos e necessários.

Para deixar claro, não achamos que a indústria fonográfica só produza “porcaria”; acabei de ouvir dois CDs muito bons distribuídos por gravadora: Avinu Malkenu, do Leonardo Gonçalves e Ainda não é o último, da banda Resgate, mas, o problema é que isso é raro.

A indústria gosta de produtos em série, o “mais do mesmo”, pois dá menos trabalho de pesquisa, o risco é menor e o lucro mais imediato. Por exemplo, se o momento é de “música de adoração”, as gravadoras investem em diversos grupos e cantores nesse formato até a exaustão, quando então precisarão criar outros “produtos”. Foi e é assim no meio secular (axé, pagode, funk carioca e sertanejo universitário, por exemplo).

O que sobra? Sobra falta de integridade artística dos músicos que aceitam as regras do mercado e produzem apenas para vender.

A Igreja precisa descobrir que a música pode ajudar ou atrapalhar em suas atividades, desde os cultos até discipulado, doutrina. Ela não percebeu isso ainda e insiste em tapar os olhos e ouvidos para o que é executado em seus momentos de louvor e eventos.


6) Qual a importância da teologia na música cristã?
A importância é total. Já estivemos em um culto onde a banda cantou músicas com clara referência favorável à teologia da prosperidade e na sequência, o pastor pregou contra ela. Foi surreal, pois nos disseram que a música era tocada há semanas.

Esse problema começa nos seminários de teologia, onde grande parte das grades curriculares não compreende a música contemporânea. Os pastores acabam o curso sabendo homilética e exegese, mas não entendem nada do que seus músicos estão tocando e cantando, ou sobre a mídia evangélica e mercado. Falta conscientização por parte dos coordenadores destes cursos e pressão por parte das Igrejas para que tal quadro mude.
7) Vocês, há algum tempo, têm disponibilizado gratuitamente, em seu blog, um CD e songbooks. Qual a resposta dessa disponibilização? A música cristã deveria estar mais acessível? A internet é a ferramenta do momento?
A resposta é que mais de 3.200 pessoas têm acesso ao nosso trabalho Viagens de Fé, número esse que conseguiríamos, provavelmente, em mais de 5 anos de divulgação “tradicional” (CD na mão). Queremos, mais do que vender, sermos ouvidos, e a resposta foi ótima nesse sentido. Depois de pouco mais de um ano, tivemos também convites para apresentações e palestras sobre o assunto. Nossos outros CDs tiveram uma venda maior no período de divulgação do download gratuito. Enfim, foi muito gratificante e queremos repetir a dose.

Acho que não só a música cristã, mas informação, seja ela de qual espécie for, deve estar disponível, pelo menos na internet, para todos. A democratização da internet que tanto se fala hoje em dia não será consolidada se esse aspecto não for levado em consideração. O que adianta uma pessoa da periferia ter acesso à internet, mas, quando quiser determinado livro para ler, não puder ter acesso ao conteúdo se não pagar? É um paradoxo.

Não só a internet, mas os recursos virtuais (como as plataformas de gravação) são as grandes ferramentas de divulgação e trabalho para músicos independentes atualmente. Estamos nos informando constantemente sobre, em especial através de blogs, facebook e twitter.

8) Quais os projetos futuros do Baixo e Voz?
Estamos gravando nosso 5º CD ao vivo junto com um DVD para comemorar 20 anos de Baixo e Voz. A produção é da Toca de Barro (Jáder Gudim e Davi Heller).